Museu Judaico de Lisboa avança, com gestão da Associação de Turismo

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A Câmara de Lisboa discute esta quarta-feira a criação do Museu Judaico de Lisboa, que representa um investimento de 2,9 milhões de euros e cuja gestão vai ser confiada à Associação de Turismo de Lisboa. Contar a história dos 800 anos da presença judaica em Portugal é o objectivo central deste equipamento, que incluirá também um centro de documentação.

Este novo museu vai nascer no bairro de Alfama, junto ao Largo de São Miguel, num espaço antes ocupado por quatro imóveis. O projecto a desenvolver prevê, como se lê no Estudo Preliminar de Investimento e Encargos de Funcionamento, a “remodelação e ampliação da área de construção existente”, operações das quais resultarão dois edifícios separados: um destinado ao museu e outro ao centro de documentação.

Em relação ao edifício do museu, a arquitecta Graça Bachmann fala num “volume de gaveto, quase cego, revestido a pedra lioz de cor clara e respeitando a proximidade de um imóvel classificado”, a Igreja de São Miguel. Na memória descritiva, a autora do projecto destaca ainda “a sobriedade de linhas e de acabamentos adoptados” que, diz, “pretendem antever a introdução num bairro lisboeta tão tradicional como o de Alfama”.

No piso -1, que será “semienterrado”, haverá uma área reservada para exposições temporárias, que poderá ser também utilizada como sala polivalente, com capacidade para cerca de 50 pessoas sentadas. No piso zero ficarão, além da recepção, a loja e uma parte do espaço museológico. Essa valência ocupará também os pisos 1 e 2, ficando o piso 3 reservado à direcção e a uma cafetaria com terraço.

“A concepção da actual solução teve como objectivo final integrar as características arquitectónicas da envolvente, maioritariamente residencial, com uma parte edificada de traçado distinto demarcando uma identidade e funcionalidade de um novo tipo de ocupação”, conclui a arquitecta.

Quanto ao segundo edifício, explica-se no Estudo Preliminar de Investimento e Encargos de Funcionamento (desenvolvido pela empresa Oficina Imobiliária) que ele terá entrada pelo Beco da Cardosa e que no piso zero haverá uma primeira sala do centro de documentação. No piso 1 haverá outra sala com o mesmo fim, enquanto os pisos 2 e 3 serão para os serviços administrativos.

Nesse documento faz-se referência ao programa geral do Museu Judaico (que foi desenvolvido por Ester Mucznik), equipamento cujo objectivo central é contar a história dos 800 anos de presença judaica em Portugal. “O museu funcionará como um centro de recolha, preservação e divulgação do património material e imaterial judaico-português”, acrescenta-se, frisando-se que este equipamento “pretende ter uma função essencialmente pedagógica”.

Os bilhetes para visitar o museu deverão custar 3,8 euros. O seu público-alvo, prevê-se, serão “todos os interessados no judaísmo, nomeadamente o público em geral, os estudiosos, a comunidade educativa nacional, a comunidade judaica nacional e estrangeira”, mas também “os turistas que visitam Lisboa, nacionais ou estrangeiros”.

Quanto ao programa museológico, explicita-se que a exposição permanente será baseada em duas componentes: o percurso temático e o histórico. O primeiro “abordará a identidade religiosa através da exposição de objectos de culto” e o segundo “focará a história dos judeus em Portugal”, incluindo também “o regresso contemporâneo do judaísmo”. Além disso, haverá exposições temporárias.

No Estudo Preliminar de Investimento e Encargos de Funcionamento sublinha-se ainda que o museu “procurará estabelecer uma forte integração no bairro de Alfama e na cidade de Lisboa” e que ele terá “um relacionamento privilegiado com a Rede de Judiarias de Portugal”.

Para a criação deste equipamento cultural prevê-se a realização de um investimento de 2,9 milhões de euros. Desse valor, um montante máximo de 312,8 mil euros será proveniente do Programa Espaço Económico Europeu Grant’s, cabendo à Associação de Turismo de Lisboa (ATL) suportar uma contrapartida nacional de até 55,2 mil euros.

No já citado documento diz-se que a Câmara de Lisboa disponibilizará um milhão de euros para o Museu Judaico. Já a Fundação Patrick & Lina Drahi (do patrão da Altice, Patrick Drahi, dono da Portugal Telecom) avançará com 1,2 milhões de euros, enquanto a arquitecta Graça Bachmann doará o projecto de arquitectura, que representa 75 mil euros.

Ines Boaventura, Publicos