A criação do Estado de Israel foi elaborada na rua 13 de maio, em Belém.

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A criação do Estado de Israel não seria possível sem conversas entre um cafezinho e outro em um antigo escritório de advogados na Rua 13 de maio em Belém. Ali, um judeu sionista e seu amigo advogado traçaram os passos que levariam a ONU a criar o Estado na célebre votação de 1947. Um capítulo desconhecido da história mundial que passa pelo bairro da Campina.

Nascido em 29 de novembro de 1877, Eliezer Levy descendia de uma tradicional família de judeus sefaraditas ( expulsos da Espanha na Inquisição, estabelecidos em países árabes como o Marrocos).

O pai, Moisés Isaac Levy era comerciante em Gurupá, onde o pequeno Eliezer fez os primeiros estudos. Acabou comerciante e depois executivo de multinacionais ligadas a borracha e a navegação . Ingressou na Guarda Nacional, onde chegou a coronel,apesar de ter ficado para a história como o Major Levy.

Advogado, prefeito duas vezes de Macapá e uma de Afuá. Entre 1918 e 1926, Eliezer Levy atuou como advogado no escritório de Francisco Jucá Filho, Procurador Geral da República e Álvaro Adolfo de Silveira, deputado estadual e chefe do Partido Conservador. Ainda que ele mesmo pertencesse ao Partido Republicano Federal desde a sua fundação. Apesar das divergências políticas, sua amizade com os colegas de trabalho teria futuramente importância decisiva na posição brasileira durante a votação na ONU para a criação do Estado de Israel.

Levy fundou em 1918, o "Kol Israel" (A Voz de Israel), um dos primeiros jornais sionistas do Brasil e que pautava as conversas entre os advogados. Já no PSD de Magalhães Barata conseguiu eleger o amigo e advogado Álvaro Adolfo da Silveira, senador da República pelo partido. Álvaro Adolfo virou assessor político de Oswaldo Aranha à ONU, no momento em que foi votada a criação do Estado de Israel.

Oswaldo Aranha, que presidiu a sessão, sabia muito sobre a realidade da palestina, porque o assessor era um especialista do assunto, herança das conversas com Eliezer Levy no velho escritório da 13 de maio., onde chegaram a discutir temas sobre a criação de Israel.

Foi Álvaro Adolfo como coordenador da votação na histórica votação da ONU que convenceu Aranha a adiar a votação enquanto convencia 3 votos contrários a criação. A história é confirmada em um aparte na Câmara dos Deputados do Rio de Janeiro, em 15 de maio de 1973, feito por João Menezes, sobrinho e filho de criação de Álvaro Adolfo da Silveira.

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